O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, defendeu hoje que a Venezuela atravessa um momento decisivo de "transição democrática", apelando à realização de eleições "absolutamente livres" no mais curto espaço de tempo. A posição foi transmitida após uma audiência de cerca de 40 minutos com a líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz, María Corina Machado, na residência oficial de São Bento.
Para o chefe do Governo português, é fundamental que o processo político em curso permita o regresso dos exilados e garanta que o povo venezuelano possa escolher o seu futuro com total liberdade. Montenegro sublinhou que a estabilidade do país é essencial para que os cidadãos possam usufruir das oportunidades e recursos que a Venezuela oferece, terminando com o ciclo de incerteza que forçou a saída de milhares de pessoas.
Durante o encontro, o Primeiro-Ministro saudou a recente libertação do cidadão luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde 2022, mas aproveitou a ocasião para alertar que ainda existem centenas de presos políticos no país. Montenegro criticou o uso de "delitos comuns" para mascarar detenções com motivação política, reiterando que a plena democratização exige a libertação de todos os detidos nestas circunstâncias.
A questão da comunidade portuguesa também esteve no centro das prioridades. Com mais de 400 mil portugueses e lusodescendentes na Venezuela, Luís Montenegro destacou que o interesse de Portugal é garantir a segurança e a estabilidade da diáspora, muitos dos quais aguardam a normalização do país para poderem regressar ou investir com confiança no território venezuelano.
A reunião ocorre num contexto de profunda mudança política na região, após a captura de Nicolás Maduro e sob a liderança interina de Delcy Rodríguez. María Corina Machado, figura central na resistência democrática, não prestou declarações, mas o encontro reforçou o papel de Portugal como um mediador atento e empenhado na solução da crise venezuelana.
Fonte:Lusa / Foto:António Cotrim