O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, formalizou esta quarta-feira um novo pacote de medidas restritivas visando 23 embarcações da chamada "frota fantasma" da Rússia e indivíduos envolvidos na deportação forçada de crianças ucranianas. As sanções surgem num momento de crescente pressão internacional sobre os mecanismos de financiamento de Moscovo.
Segundo o chefe de Estado ucraniano, a primeira vertente destas sanções foca-se em funcionários estatais russos, propagandistas e colaboradores nos territórios ocupados. Estes são acusados de orquestrar a transferência de menores para solo russo, um processo que Kiev denuncia como uma tentativa deliberada de privar as crianças da sua identidade nacional e laços familiares.
Paralelamente, em coordenação com os seus aliados ocidentais, Kiev aplicou restrições severas a 23 navios cargueiros. Esta frota tem sido utilizada pelo Kremlin para contornar o embargo internacional ao petróleo russo, uma das principais fontes de receita que sustenta o atual esforço de guerra. Zelensky sublinhou que fechar estas brechas na exportação energética é vital para asfixiar a economia militar de Moscovo.
O Presidente ucraniano aproveitou a ocasião para alertar também para os esforços diplomáticos russos no Médio Oriente e no Golfo Pérsico. O objetivo de Moscovo, diz Kiev, passa por boicotar os acordos de defesa da Ucrânia, especialmente no setor dos drones. Zelensky referiu que o Kremlin vê o investimento estrangeiro na indústria de defesa ucraniana como um desafio estratégico prioritário a neutralizar.
Zelensky apontou ainda para a crescente instabilidade provocada por contingentes paramilitares russos em África, como o Afrika Korps. O líder ucraniano defendeu que a expansão da atividade militar russa nestas regiões favorece o crime transfronteiriço e o fortalecimento de organizações terroristas, instando a comunidade internacional a uma resposta conjunta para travar estas dinâmicas.
A imposição destas sanções ocorre num cenário de impasse diplomático. A Rússia continua a exigir a cedência de territórios e a renúncia da Ucrânia à NATO como condições para o fim das hostilidades — exigências constantes no plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, mas que o governo ucraniano considera inaceitáveis.
Fonte e Foto:Lusa