A NATO confirmou hoje que está em contacto direto com as autoridades norte-americanas para analisar a decisão de Washington de retirar cerca de cinco mil militares do contingente estacionado na Alemanha até 2027, anunciou a porta-voz da organização.
"Estamos a colaborar com os Estados Unidos para compreender melhor os detalhes da sua decisão relativa ao dispositivo militar na Alemanha", afirmou Allison Hart, porta-voz da Aliança Atlântica, através de uma nota publicada na rede social X. Segundo a responsável, esta redução de tropas acentua a necessidade de a Europa investir de forma mais robusta no setor da defesa e assumir uma maior responsabilidade pela segurança comum do continente.
O anúncio do Pentágono, formalizado na passada sexta-feira, surge na sequência de um período de tensão diplomática entre o Presidente Donald Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz. O diferendo agravou-se após críticas de Merz à estratégia militar de Washington no conflito com o Irão, que o chanceler classificou como inexistente, levando Trump a criticar a falta de apoio dos aliados europeus.
Em reação, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, considerou que a retirada era "previsível", mas sublinhou que o momento exige uma adaptação estratégica. Para o governante, é imperativo que os membros europeus da Aliança ganhem mais peso institucional: "No seio da NATO, temos de nos tornar mais europeus para podermos continuar a ser transatlânticos", afirmou.
Apesar da redução anunciada, a presença militar dos Estados Unidos na Alemanha mantém-se como um dos pilares históricos da política de segurança da NATO na Europa, embora o atual cenário force uma reavaliação da autonomia estratégica do bloco europeu.
Fonte e Foto:Lusa