15 de maio de 2026 (Lusa) — O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) veio a público hoje alertar que o aumento do número de vagas para novos especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não se traduzirá, obrigatoriamente, num maior número de contratações. A estrutura sindical defende que a prioridade do Ministério da Saúde deveria ser a valorização das carreiras e a melhoria substancial das condições laborais.
Em comunicado, o sindicato — que faz parte da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) — criticou a tutela liderada por Ana Paula Martins, afirmando que o Governo continua a lançar números para as estatísticas enquanto os serviços continuam desfalcados e milhares de utentes permanecem sem assistência. A reação surge após a publicação de um despacho que prevê mais de 2.500 vagas para médicos recém-especialistas, divididas entre hospitais, medicina geral e familiar e saúde pública.
O SMN apontou também o dedo ao modelo de atribuição de vagas para zonas consideradas carenciadas. O Governo abriu 332 postos com incentivos financeiros em regiões com maior escassez de profissionais, mas o sindicato considera incompreensível que, dentro do mesmo hospital ou unidade de saúde e para a mesma especialidade, coexistam vagas normais e vagas com estatuto de carenciadas.
Para ilustrar esta incoerência, a organização deu o exemplo das Unidades Locais de Saúde (ULS) do Nordeste e de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde se verificam assimetrias no acesso a estes apoios em especialidades críticas como pediatria, cirurgia geral ou anestesiologia. De forma a inverter a fuga de médicos do SNS, o SMN exige maior transparência nos concursos públicos e o reconhecimento real das carências dos serviços.