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Noite de "São João" num Mar Azul e Branco Pintou Toda a Cidade Invicta
Publicado em 17/05/2026 02:03 • Atualizado 17/05/2026 10:21
Sociedade
Foto:Manuel Fernando Araújo

PORTO — A Invicta antecipou as fogueiras de junho para se vestir rigorosamente a preceito. O FC Porto carimbou a conquista do seu 31.º título de campeão nacional com uma vitória tangencial por 1-0 frente ao Santa Clara, mas o verdadeiro espetáculo começou muito antes do apito final e teve como cenário as águas do Douro e as margens da Ribeira, transformadas numa autêntica maré humana azul e branca.

O coração histórico da cidade, habitualmente dominado pelo vaivém dos turistas, foi invadido por milhares de adeptos locais. De cachecóis ao peito e bandeiras à janela, a cidade vibrou com um ambiente que fundiu a euforia do futebol com a mística das grandes romarias portuenses.

Drones, Saudade e a Bênção do Capitão

O relógio marcava as 22:00 quando o rio Douro se iluminou para receber a comitiva campeã, que chegou a bordo de uma embarcação sob um céu partilhado por fogo de artifício e tecnologia. Um vistoso espetáculo de 'drones' desenhou várias silhuetas nos céus: começou com a figura icónica do dragão, deu lugar à mítica camisola número dois — numa sentida homenagem ao eterno capitão Jorge Costa — e encerrou com a mensagem de união "Seguimos juntos".

À proa, o capitão Diogo Costa assumiu o papel de porta-voz da equipa e dirigiu-se à multidão que se acumulava nas duas margens e em dezenas de barcos:

"Obrigado por acreditarem em nós. O campeão voltou!", gritou o internacional português, gerando uma onda de aplausos que ecoou por toda a bacia do Douro.

Uma Festa de Todos e para a História

Nas esplanadas da Ribeira, a surpresa misturava-se com a adesão espontânea. Dois casais ingleses, naturais de Leeds, confessavam-se rendidos ao aparato, brindando à saúde dos novos campeões com um audível "Porto!" antes de prometerem seguir o cortejo até aos Aliados.

Para os moradores locais, a noite teve um sabor ainda mais especial. Filomena Carvalho, de 51 anos, não escondia a emoção por ver a consagração passar-lhe, literalmente, à porta de casa:

"Nem sei explicar esta coisa mais linda. Poder celebrar o triunfo do nosso clube aqui não tem palavras. Isto também é pelo senhor Pinto da Costa e pelo Jorge Costa, que bem mereciam estar aqui", desabafou, visivelmente comovida.

Após a receção flutuante no cais, os heróis da temporada subiram a um trio elétrico e rumaram em direção à Avenida dos Aliados. Ao som dos temas de Pedro Abrunhosa, a noite estendeu-se pela madrugada dentro, fechando com chave de ouro uma das páginas mais bonitas e festivas da história recente do clube azul e branco.

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