Sintra, 19 mai 2026 (Lusa) — O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Luís Montenegro, advertiu esta segunda-feira, em Sintra, que irá obrigar as restantes forças políticas a clarificarem as suas posições no momento de votar alterações estruturais no Estado. O líder social-democrata criticou severamente os partidos que defendem reformas na esfera pública, mas recuam quando estas afetam os seus próprios setores ou interesses.
As declarações surgiram durante a apresentação da sua moção de estratégia global para as eleições diretas do PSD, agendadas para 30 de maio. O discurso coincidiu com o anúncio do líder do Chega, André Ventura, que confirmou o voto contra do seu partido face à nova lei de organização do Tribunal de Contas, que vai a debate no parlamento esta quarta-feira.
O também primeiro-ministro assegurou que o Executivo está totalmente disponível para dialogar, aprofundar e discutir as várias opções legislativas, mas vincou que "não está disponível para deixar tudo na mesma", independentemente das resistências corporativas ou da falta de coragem política que possam surgir. Montenegro ironizou ainda com o facto de Portugal ser um país com "grandes reformistas a conversar nas televisões", mas que depois recusam agir para não causar reações negativas.
A moção de estratégia, intitulada "Fazer Portugal maior", foi coordenada pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, que destacou a urgência de colocar o Estado ao serviço dos cidadãos através de reformas estruturais. O evento de apresentação contou com a presença de várias figuras do partido e do Governo, incluindo o secretário-geral Hugo Soares, os presidentes das câmaras de Lisboa, Sintra e Cascais, e os ministros Gonçalo Matias e Carlos Abreu Amorim.