(Lusa) - A Polícia Judiciária revelou esta segunda-feira que o acesso indevido a dados de utentes do Serviço Nacional de Saúde já afetou mais de 100 mil pessoas em todo o país, incluindo nas regiões autónomas. O caso está a ser investigado pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica da PJ.
Segundo as autoridades, o acesso terá sido feito através de credenciais comprometidas de um médico, permitindo a recolha de um elevado volume de informação num curto espaço de tempo. A PJ admite a possibilidade de terem sido utilizadas ferramentas de inteligência artificial para acelerar a extração dos dados.
A investigação encontra-se ainda numa fase inicial e não existem, para já, suspeitos identificados. As autoridades afastam, contudo, a hipótese de o médico associado às credenciais ter sido o autor do ataque.
Os dados acedidos estarão relacionados sobretudo com registos administrativos de utentes do SNS, não estando ainda confirmado se houve acesso a informação clínica.
De acordo com a PJ, as credenciais utilizadas já foram desativadas e estão em curso medidas adicionais de reforço de segurança nos sistemas informáticos do Ministério da Saúde. A polícia apelou também aos profissionais de saúde para alterarem as palavras-passe de acesso às plataformas.
O caso tornou-se público após vários utentes relatarem notificações de acessos às suas fichas no portal SNS 24, situação que levou à apresentação de queixas junto das autoridades e entidades de saúde.