(Lusa) - O antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, criticou esta terça-feira aquilo que designou como políticos “postiços”, acusando-os de perderem autenticidade ao tentarem agradar a todos e adaptar-se ao clima político dominante.
Numa intervenção durante a apresentação de um livro, o antigo líder do Partido Social Democrata defendeu que a política exige liderança e capacidade de assumir posições claras, mesmo quando estas podem ser impopulares.
Passos Coelho apontou aquilo que considera ser uma tendência crescente no espaço político europeu e português, em que alguns dirigentes evitam decisões firmes por receio de desagrado junto dos eleitores.
O ex-governante alertou ainda para o risco de os partidos tradicionais adotarem discursos próximos do populismo, numa tentativa de acompanhar esse fenómeno, defendendo que tal estratégia tende a revelar-se ineficaz.
Sem identificar destinatários, o antigo primeiro-ministro afirmou que políticos que perdem autenticidade acabam por perder também credibilidade, ao tentarem adaptar-se ao momento político.
Numa das passagens mais fortes da intervenção, Passos Coelho comparou esses protagonistas a “prostitutos sem caráter”, sublinhando a sua crítica à falta de coerência política.
O antigo líder social-democrata defendeu ainda que a política não deve ser guiada apenas pela procura de vitória eleitoral, mas também pela defesa de convicções, mesmo quando isso implica perder eleições.
Passos Coelho comentou ainda questões relacionadas com imigração, afirmando que têm sido adotadas medidas para travar fluxos que considerou excessivos.
A intervenção ocorreu durante a apresentação de um livro, evento que contou com a presença do líder do Chega, André Ventura.
A informação foi divulgada pela agência Lusa com base em declarações públicas de Pedro Passos Coelho.