Pequim, 28 mai 2026 (Lusa) — A China está a conseguir consolidar o seu papel como um pilar essencial do multilateralismo global através de uma intensa agenda de receções diplomáticas. De acordo com informações avançadas pela agência Lusa, vários analistas internacionais apontam que a sucessão de visitas de Estado a Pequim fortalece a imagem do Presidente Xi Jinping como um ator central na diplomacia mundial. Nos primeiros cinco meses deste ano, a capital chinesa foi o destino de 21 chefes de Estado ou de Governo, uma lista que inclui os líderes de potências ocidentais como a Alemanha, o Reino Unido, o Canadá e a Espanha.
Este dinamismo diplomático ganhou ainda maior relevância este mês com a realização de cimeiras consecutivas entre Xi Jinping e os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Adicionalmente, esta semana foi marcada pelas visitas do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e do Presidente sérvio, Aleksandar Vucic. Especialistas indicam que este fluxo constante de comitivas estrangeiras permite a Pequim apresentar-se como um parceiro internacional estável e previsível, contrastando com as críticas dirigidas à política externa norte-americana sob a administração de Donald Trump.
Estrategicamente, receber os líderes mundiais no seu próprio território traz vantagens significativas para a liderança chinesa, tanto a nível interno como externo. Para o público doméstico, o fenómeno remete historicamente para o antigo sistema imperial, transmitindo a ideia de um regresso à centralidade natural da China no mundo. Além disso, ao privilegiar encontros bilaterais diretos em vez de fóruns multilaterais, Pequim consegue exercer maior influência sobre os seus parceiros. Esta postura reflete-se na drástica redução das viagens de Xi Jinping ao estrangeiro: o líder chinês não realizou qualquer deslocação internacional este ano, uma mudança drástica face ao início do seu mandato em 2012.
Os resultados práticos destas visitas têm-se traduzido em importantes acordos económicos e comerciais. Durante a recente deslocação do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a China reduziu substancialmente as tarifas sobre o whisky britânico e aprovou a isenção de vistos para cidadãos do Reino Unido. Por outro lado, a visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, resultou no levantamento de taxas chinesas sobre produtos agrícolas cruciais para o Canadá. Contudo, analistas alertam que a pressa dos líderes ocidentais em negociar isoladamente com Pequim acaba por validar a narrativa de Xi Jinping sobre a ascensão chinesa face ao declínio do Ocidente, numa altura em que o presidente chinês já se começa a focar na política interna com vista à renovação do seu mandato em 2027.