Lisboa, 18 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu publicamente que o ministro da Administração Interna tem a obrigação de esclarecer, de forma totalmente transparente, as polémicas que envolvem o seu nome, classificando as recentes revelações como "graves".
Em entrevista à SIC Notícias na última noite, Carneiro justificou a sua postura prudente com a enorme relevância institucional do cargo em causa, que classificou como "uma das mais importantes funções de soberania". Contudo, o líder socialista foi direto ao lembrar o passado do governante: tendo em conta o longo percurso de Luís Neves na liderança da Polícia Judiciária (PJ), é fundamental que este justifique "todos os atos e fundamentos das decisões que tomou".
A pressão sobre o ministro disparou após o semanário Nascer do Sol ter revelado que Luís Neves adjudicou obras numa propriedade sua no Alentejo à Construbarcelos, uma empresa que já tinha realizado empreitadas para a PJ na altura em que ele era o Diretor Nacional daquela polícia. A situação agravou-se na sexta-feira, quando a própria PJ e o Ministério Público confirmaram a abertura de um inquérito criminal. Em causa está o facto de um reboque de camião, apreendido judicialmente no âmbito da rede de tráfico de droga investigada na "Operação Pacoba", ter sido detetado nas instalações dessa mesma construtora.
Para José Luís Carneiro, que também já tutelou a pasta da Administração Interna em anteriores executivos do PS, o detentor deste cargo político exige uma conduta imaculada.
"A autoridade do governante (...) não pode estar maculada por quaisquer atitudes, decisões ou atos que firam a legalidade e que firam os procedimentos que são exigidos a quaisquer outros cidadãos", alertou o líder da oposição.
Apesar de sublinhar a gravidade do cenário e de exigir que a Justiça apure todas as responsabilidades, José Luís Carneiro aproveitou a entrevista para reafirmar o papel do PS na governação do país. O líder socialista garantiu que o partido mantém o seu compromisso de dar estabilidade a Portugal, embora tenha avisado o Governo de Luís Montenegro de que isso não se traduz num "cheque em branco" para o próximo Orçamento do Estado. "Não viabilizaremos todas as opções. Teremos de conhecer aquilo que o governo vai apresentar", concluiu.