Chega hoje ao fim o prazo para a apresentação de propostas vinculativas com vista à privatização parcial da TAP. A corrida à compra de uma fatia da companhia de bandeira portuguesa fica circunscrita a dois gigantes da aviação europeia — o grupo Air France-KLM e a alemã Lufthansa —, após a desistência da IAG nas fases anteriores.
Em causa está a alienação de até 49,9% do capital social da transportadora aérea, sendo que 5% da quota está reservada aos trabalhadores da empresa. Caso essa tranche destinada aos colaboradores não seja totalmente subscrita, o investidor selecionado terá direito de preferência para adquirir o remanescente.Avaliação financeira e plano estratégico na balança
As ofertas finais em análise deverão detalhar não só a componente financeira da operação — num ativo cuja avaliação global pode ultrapassar os dois mil milhões de euros —, mas também as garantias estratégicas para o futuro da companhia. Entre os fatores de ponderação definidos pelo Executivo estão a expansão da frota, a manutenção do hub operacional em Lisboa, o investimento em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e o cumprimento das salvaguardas laborais.
O Ministério das Infraestruturas ressalva ainda que o Estado se reserva ao direito de suspender ou anular o procedimento em qualquer fase, sem compensação para os consórcios, caso entenda que as propostas não asseguram o interesse público e estratégico do país.Próximos passos do processo
Terminado o período de receção de propostas, a Parpública dispõe de um prazo de 30 dias para elaborar e entregar ao Governo o relatório de avaliação técnica. Poderá depois abrir-se uma fase intercalar de negociações diretas para tentar otimizar os termos das propostas apresentadas.
A expetativa do Governo passa por selecionar o parceiro vencedor até ao próximo mês de setembro. A concretização do negócio e a entrada formal do novo acionista no capital da TAP deverão ocorrer no verão de 2027, dependendo da aprovação prévia das autoridades da concorrência da União Europeia, embora persista a intenção de envolver o comprador na gestão da empresa ainda no decurso deste ano.
Fonte -Lusa