A aquisição das três novas fragatas do modelo FREMM EVO para a Marinha Portuguesa vai exigir um esforço financeiro significativamente superior ao efetuado por Itália para navios semelhantes. O investimento global do programa está fixado nos 3.900 milhões de euros, o que significa que cada unidade poderá custar, no mínimo, mais 25% a Portugal do que à congénere italiana, podendo a diferença total atingir os 42%.
De acordo com os dados apresentados pelo Executivo, o custo direto das três embarcações situa-se entre os 3.000 e os 3.100 milhões de euros (mais de mil milhões por cada fragata). Em contrapartida, no acordo firmado em 2024, Roma contratou duas unidades à Fincantieri e Leonardo por 750 milhões de euros cada.
Inflação e o "fator Atlântico" encarecem fatura
O Ministério da Defesa e o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, justificam este diferencial financeiro com um conjunto de fatores técnicos e económicos:
Financiamento Europeu e Inflação: Ao abrigo do programa comunitário SAFE, os custos finais são projetados com base na inflação previsível até à data de entrega dos navios, agendada para o biénio 2029-2030.Especificações Técnicas Nacionais: Ao contrário de Itália — que já opera dez unidades FREMM e dispõe de infraestruturas adaptadas —, Portugal necessita de equipar os navios de raiz com armamento, sensores e sistemas de comunicação calibrados para a navegação em águas atlânticas.Manutenção e Sustentação de Longo Prazo: Do valor global do programa, cerca de 800 milhões de euros estão reservados para garantir o apoio logístico, a gestão de obsolescência tecnológica, a formação de tripulações e a substituição de peças sobressalentes ao longo dos próximos 30 anos.O Governo garante que os trabalhos de manutenção regular e assistência técnica serão maioritariamente executados em estaleiros nacionais, assegurando a capacidade operacional da frota e a autonomia estratégica do país nas décadas futuras.
Fonte- Lusa/CNN Portugal