Lisboa, 08 set 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro, Luís Montenegro, abriu a discussão da moção de censura ao Governo na Assembleia da República atacando duramente a estratégia do Chega e da restante oposição. Num discurso focado em contrapor a ação governativa à instabilidade política, o chefe do Executivo aproveitou a metáfora do atrelado — numa alusão indireta aos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves — para acusar os detratores de viverem obcecados por "eleições, moções e insinuações".
"Enquanto muitos estão atrelados ao seu tanque de eleições, moções, demissões, comissões, insinuações e chavões, nós estamos focados em encontrar soluções para a vida das pessoas", atirou o líder do Governo PSD/CDS-PP, defendendo que a iniciativa do partido de André Ventura traz apenas "negativismo, maledicência e espuma política", sem apresentar alternativas sólidas de país.
Para reforçar a mensagem de foco nos problemas concretos dos cidadãos, Montenegro anunciou a reedição de apoios extraordinários aos combustíveis para agricultores, pescadores, bombeiros e IPSS, bem como a extensão aos transportadores do regime de apoio que vigorou até junho. O primeiro-ministro rebateu ainda as críticas do PS sobre a receita do imposto sobre combustíveis (ISP), garantindo que os descontos em vigor totalizarão uma perda de receita fiscal na ordem dos 1.300 milhões de euros no final do ano.
Numa blindagem política ao ministro da Administração Interna, Luís Montenegro elogiou o trabalho das forças de segurança e da proteção civil sob a tutela do seu Ministério, destacando a mobilização do "maior dispositivo de sempre" no combate aos fogos rurais e a melhoria operacional no controlo de fronteiras aeroportuárias.
A iniciativa, que constitui a primeira moção de censura ao XXV Governo Constitucional e a terceira enfrentada por executivos liderados por Luís Montenegro, caminha para um chumbo inequívoco no plenário da Assembleia da República.