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Mário Centeno Lembra Que “Os Nossos Impostos É Que Pagam O Investimento”
Num encontro do International Club of Portugal, o ex-governador do Banco de Portugal desmistifica o papel das verbas comunitárias, aponta o caminho para a união orçamental europeia e não descarta o regresso à vida pública.
Por Redação
Publicado em 09/09/2026 22:04
Nacional
@Lusa

Lisboa, 09 set 2026 (Lusa) — Mário Centeno defendeu esta quarta-feira que é fundamental mudar a narrativa em torno dos apoios comunitários, sublinhando que os fundos europeus representam apenas "uma minoria do dinheiro que o Estado investe". Em intervenção num almoço-debate do International Club of Portugal, em Lisboa, o antigo ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal vincou de forma perentória que "quem paga o investimento em Portugal são os nossos impostos, não é Bruxelas".

Num momento em que se perspetivam cortes na afetação de verbas para o país no próximo quadro financeiro plurianual, o ex-presidente do Eurogrupo recusou qualquer diabolização dos instrumentos europeus. Para o economista, os fundos mantêm uma relevância crítica na coesão do bloco, cabendo às decisões nacionais a responsabilidade por eventuais erros do passado. "As más decisões fomos nós que as tomámos. Não pagámos com fundos europeus os estádios de futebol, nem as estradas que não concluímos", exemplificou.

Olhando para o futuro da União Europeia, Centeno defendeu que o continente necessita de uma liderança forte e audaz, capaz de mobilizar os Estados-membros em torno de uma capacidade orçamental centralizada e da emissão de dívida comum — fórmula que considerou bem-sucedida durante a resposta à crise da pandemia de Covid-19, transformando a Europa num "lago de estabilidade".

Ao avaliar a evolução da economia nacional na última década, Mário Centeno recordou que Portugal deixou de ser visto como "um caso perdido" para acumular saldos orçamentais positivos expressivos, manifestando confiança no futuro desde que o país mantenha a disciplina orçamental e aposte na qualificação e educação. Confrontado sobre a possibilidade de voltar a desempenhar cargos políticos ou de serviço público, o ex-governador admitiu essa hipótese, sob a condição de se sentir "efetivamente preparado".

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