Estrasburgo, França, 16 set 2026 (Lusa) — A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, rejeitou esta quarta-feira o cancelamento do sistema de depósito e reembolso de embalagens Volta, afastando as críticas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que exigiu o fim imediato do programa alegando impactos negativos na higiene urbana e na dignidade social.
Falando a partir de Estrasburgo, à margem do debate sobre o Estado da União, a governante assegurou que o fenómeno de pessoas em situação de vulnerabilidade e sem-abrigo a vasculharem o lixo para recolher garrafas com reembolso de 10 cêntimos resulta de um contexto social preexistente. "O drama social é independente do Volta. É um drama social que está relacionado com a pobreza, que está relacionado com os sem-abrigo e que vão buscar alguma forma de ter algum rendimento utilizando estas garrafas", afirmou a ministra aos jornalistas.
Maria da Graça Carvalho lembrou que o Volta cumpre diretivas da União Europeia e metas assumidas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), frisando que a ausência deste modelo custou ao país 600 milhões de euros em sanções comunitárias desde 2023. A tutela apresentou ainda dados operacionais para demonstrar o sucesso da medida: desde o arranque em abril, o sistema já permitiu a devolução de 304 milhões de embalagens, atingindo uma taxa de recolha de 44% e superando antecipadamente a meta de 40% fixada para o final de 2026.
Para mitigar as queixas autárquicas sobre a dispersão de resíduos na via pública, a governante adiantou que o Executivo está a estudar a implementação de recipientes de recolha separados nos ecopontos, à semelhança do que sucede noutras capitais europeias, reforçando a disponibilidade do Governo para colaborar na otimização da limpeza urbana com os municípios.