Um estudo pioneiro desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a intervenção cirúrgica bariátrica ou metabólica reduz em 36% a carga de incapacidade associada às complicações da obesidade. Para além dos benefícios clínicos diretos, a investigação demonstra que o tratamento resulta numa poupança económica expressiva no consumo de medicamentos.Coordenada pela investigadora Paula Freitas e com o investigador André Oliveira como primeiro autor, a equipa acompanhou ao longo de três anos um grupo de 383 doentes no Centro de Responsabilidade Integrado de Obesidade da Unidade Local de Saúde São João. O objetivo consistiu em avaliar a eficácia e os custos do procedimento no quotidiano clínico real, fora do contexto restrito dos ensaios tradicionais.
Os dados publicados na revista científica Obesity Surgery revelam recuos acentuados nas principais comorbilidades metabólicas após a cirurgia:
Dislipidemia: A prevalência de níveis elevados de colesterol ou triglicéridos caiu drasticamente de 47% para 15%.
Hipertensão: O número de doentes hipertensos reduziu para metade, passando de 41% para 21%.
Diabetes Tipo 2: A incidência da doença desceu de 26% para 10%.
Asma: Registou-se uma diminuição de 8% para 3%, mantendo-se as perturbações psiquiátricas estáveis nos 28%.
A melhoria do quadro de saúde geral refletiu-se de forma direta no consumo de fármacos. O gasto médio anual por doente em medicamentos baixou de 178,21 euros para 122,09 euros, gerando uma poupança global estimada em cerca de 21.500 euros por ano no grupo analisado — com maior alívio nos fármacos destinados à diabetes e à pressão arterial.
Em declarações sobre os resultados, Paula Freitas destacou que tratar a obesidade vai muito além do controlo do peso, tratando-se fundamentalmente de devolver saúde e aliviar a pressão financeira sobre a sociedade. A cirurgia metabólica permanece recomendada para adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², ou a partir de 35 kg/m² quando associada a doenças graves, constituindo uma alternativa quando as terapêuticas não cirúrgicas se revelam insuficientes.
Fonte - Lusa