Lisboa, 19 out 2026 (Lusa) – O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou esta segunda-feira o Chega de dar “cambalhotas” políticas no dossier da habitação e defendeu a necessidade de intensificar a mobilização popular para travar em definitivo a revisão da lei do arrendamento apresentada pelo Executivo.
Falando em conferência de imprensa em Lisboa, na sequência de uma reunião do Comité Central do PCP, o líder comunista desvalorizou as recentes declarações de André Ventura, classificando o Chega como um “partido de cambalhotas” em quem “se pode confiar pouco ou quase nada”. Raimundo lembrou que a viabilização da proposta governamental na generalidade contou com a abstenção do Chega e acusou a direita (PSD, CDS-PP, Chega e IL) de atuar como "testa de ferro dos fundos imobiliários e da banca".
O líder do PCP sustentou que a "pressão e a luta" de rua constituem a única garantia para fazer recuar a chamada "lei dos despejos e do aumento das rendas". Questionado sobre os acampamentos urbanos e protestos mais recentes em várias cidades, Paulo Raimundo saudou as diferentes formas de expressão da indignação popular, rejeitando as colagens dos protestos a cenários de violência e sublinhando que a verdadeira violência reside nos baixos salários, na precariedade e na impossibilidade de aceder a uma casa.
Entre as medidas prioritárias defendidas pelo PCP para o setor, Paulo Raimundo voltou a exigir a duração mínima de dez anos para os contratos de arrendamento, o fim de exigências abusivas de caução, a proteção contra despejos, a redução de spreads bancários e o investimento público anual equivalente a 1% do PIB em habitação.