Lisboa, 06 nov 2026 (Lusa) — O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, determinou esta sexta-feira a retirada imediata da "Acampada de Lisboa" da Praça D. Pedro IV (Rossio). A decisão surge através de um despacho que invoca um parecer da PSP, argumentando que o protesto pelo direito à habitação é incompatível com a instalação do tradicional Mercado de Natal naquele local.
Como alternativa, a autarquia propôs a transferência das tendas para a Praça Martim Moniz, Praça dos Restauradores ou Largo de São Domingos. Contudo, poucas horas após a notificação da Polícia Municipal para a desocupação do espaço, os promotores do protesto reagiram. Renata Cambra submeteu uma denúncia ao Tribunal Administrativo de Lisboa, alegando que o município está a violar uma sentença recente que autorizava a permanência do acampamento no Rossio até 24 de novembro — dia da votação do Orçamento do Estado.
O diferendo eleva a tensão em torno das manifestações contra a crise imobiliária, que começaram no Porto e se alastraram à capital. As recentes intervenções policiais nestes protestos já resultaram em dezenas de detidos e feridos, levando inclusive o Ministério Público a solicitar a intervenção do Tribunal Constitucional para fiscalizar a lei que limita os horários das manifestações.