As autoridades portuguesas lançaram um alerta nacional face ao volume persistente de burlas no setor do arrendamento de habitações. Dados recentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) revelam que, nos últimos três anos, foram contabilizadas 4.553 denúncias de falsos arrendamentos, um crime que tem encontrado no ambiente digital o terreno fértil para a sua propagação através de métodos cada vez mais sofisticados.
Apesar da gravidade dos números acumulados desde 2023, o primeiro trimestre de 2026 trouxe sinais de um ligeiro recuo na criminalidade participada. Entre janeiro e março deste ano, registaram-se 325 denúncias, o que representa uma descida de cerca de 10% em comparação com o período homólogo de 2025. Contudo, a PSP sublinha que a evolução digital tem permitido o aperfeiçoamento de esquemas fraudulentos que nem sempre são detetáveis à primeira vista.
O "modus operandi" baseia-se na criação de anúncios atrativos em plataformas online e classificados de jornais, utilizando frequentemente moradas e fotografias reais de imóveis para conferir legitimidade à fraude. Os burlões induzem as vítimas ao pagamento antecipado de reservas ou cauções por habitações que, na realidade, não existem para arrendamento, pertencem a terceiros ou já se encontram ocupadas por inquilinos legítimos.
Assim que a transferência bancária ou o envio de numerário é efetuado, os suspeitos interrompem todos os contactos e eliminam os anúncios da internet, deixando as vítimas sem o montante investido e sem acesso ao imóvel prometido. Perante o aproximar da época de férias, a PSP e a GNR recomendam que os cidadãos desconfiem de preços significativamente abaixo do valor de mercado e que verifiquem sempre se o nome associado ao IBAN fornecido coincide com o do anunciante ou proprietário.
As autoridades aconselham ainda a solicitação de dados adicionais, como cópias de contratos de fornecimento de eletricidade ou gás, para validar a morada indicada. A Guarda Nacional Republicana (GNR), que registou 725 burlas desta natureza no último ano, reitera a importância de guardar todo o histórico de conversas, fotografias e comprovativos de pagamento, elementos que são fundamentais para o sucesso de futuras investigações criminais e identificação dos suspeitos.
Fonte:Lusa / Foto:António Pedro Santos