Matosinhos, 06 mai 2026 (Lusa) – A Galp reconheceu hoje a existência de uma "ocorrência" numa infraestrutura desativada da sua antiga refinaria de Matosinhos, em Leça da Palmeira, que resultou numa descarga poluente num curso de água local. Em resposta à Lusa, a multinacional energética garantiu que a situação está "em fase de mitigação" e apresenta uma "evolução favorável", assegurando a inexistência de riscos para a saúde pública.
A empresa informou que mantém no terreno operações permanentes de contenção e limpeza, em articulação com as entidades competentes. O incidente, que já tinha sido denunciado no início de abril após manchas visíveis numa ribeira da zona, motivou o acompanhamento diário por parte das autoridades ambientais.
Contudo, a posição da Galp surge num momento de pressão política e administrativa. A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, confirmou ter sinalizado o incidente junto das autoridades e foi incisiva na atribuição de culpas, classificando o evento como "claramente uma descarga proveniente das instalações da antiga refinaria".
Segundo a autarca, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já está a processar as respetivas penalizações contra a Galp. "Estão a ser exigidas responsabilidades por força desse incumprimento", declarou Luísa Salgueiro, sublinhando que a autarquia não transigirá perante falhas na segurança ambiental de infraestruturas em processo de desativação.
A antiga refinaria de Matosinhos encerrou a sua atividade produtiva em 2021, mas o processo de desmantelamento e descontaminação do solo continua a ser um dos temas mais sensíveis da região, dadas as implicações ecológicas e a proximidade a zonas habitacionais e balneares.