(Lusa) - A atividade cirúrgica nas unidades de saúde com acordos com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) registou uma quebra de 7% no segundo semestre de 2025. Segundo os dados da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), publicados esta segunda-feira, a tendência nestas unidades contrasta com o aumento de atividade verificado nos "hospitais de destino", que recebem doentes encaminhados pelo setor público.
Entre julho e dezembro de 2025, os hospitais dos setores privado e social (protocolados) realizaram 9.963 cirurgias programadas. Contudo, a redução mais acentuada ocorreu na cirurgia oncológica, onde a atividade destes prestadores recuou 30,8% face ao período homólogo de 2024. No final do ano, restavam nestas unidades 3.316 utentes em lista de espera, dos quais 1,8% já tinham ultrapassado os tempos máximos legais.
Em sentido inverso, os hospitais de destino — que operam através de vales-cirurgia ou notas de transferência — registaram um aumento de 4,5% na atividade, totalizando 13.312 intervenções. Apesar deste crescimento, estas unidades enfrentam dificuldades no cumprimento de prazos: a taxa de incumprimento dos tempos máximos de resposta subiu para 26,8%, chegando aos 50,4% no caso da oncologia.
O relatório da ERS sublinha ainda que o universo cirúrgico continua a ser dominado pelos hospitais públicos, responsáveis por 99% das intervenções oncológicas (34.771 operações). No global, verificou-se uma diminuição da atividade de 2,7%, impulsionada por quebras nos hospitais públicos (-3,0%) e nos protocolados, num semestre em que o recurso a vales-cirurgia permitiu tratar 78% dos doentes em hospitais privados e 22% em instituições do setor social.