Coimbra (Lusa) — O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, responsabilizou o Executivo liderado por Luís Montenegro por aquilo que considera ser uma falta de empenho e desleixo na gestão das crises mais graves do país. O líder da oposição focou-se, em particular, na reação governamental às fortes tempestades que fustigaram Portugal nos passados meses de janeiro e fevereiro, recorrendo às conclusões de um documento oficial da Presidência da República para sustentar os seus argumentos.
Em declarações prestadas aos jornalistas em Coimbra, à entrada para uma reunião do Conselho Estratégico do partido, José Luís Carneiro afirmou que o relatório demonstra que o Governo central falhou na capacidade de resposta, agiu de forma tardia e demonstrou incompetência e insensibilidade social. Conforme avançou a agência Lusa, o dirigente socialista exortou o primeiro-ministro a abandonar a postura atual, a escutar as propostas das forças da oposição e a corrigir a sua trajetória política.
As declarações do líder do PS surgem na sequência da divulgação, pelo jornal Público e pela agência Lusa, do relatório relativo à "Presidência Aberta na Zona Centro", uma iniciativa conduzida por António José Seguro entre os dias 6 e 10 de abril para avaliar os estragos do mau tempo. No documento de quase cem páginas, o chefe de Estado alerta para a urgência de acelerar a entrega de apoios financeiros e clarificar as medidas de auxílio, sublinhando que o país necessita de entrar no período de maior risco meteorológico com condições acrescidas de segurança.
A auditoria da Presidência da República expôs debilidades severas na governação da crise, detalhando falhas na comunicação de risco aos cidadãos, problemas de articulação entre os diferentes níveis da administração pública, atrasos no processamento de dados e falta de clareza no enquadramento do apoio logístico militar.
Para José Luís Carneiro, os problemas registados no início de 2026 não são um caso isolado. O secretário-geral do PS lembrou que as conclusões deste relatório se alinham com outras auditorias recentes, evocando o documento elaborado pelo deputado do PSD, Paulo Moniz, a propósito de um apagão elétrico, que também sinalizou descoordenação e incapacidade por parte do Executivo.
De acordo com o líder socialista, o histórico recente que junta as falhas no fornecimento de energia, a gestão dos incêndios florestais de 2025 e, agora, as lacunas na resposta às tempestades do inverno validam a ideia de que o atual Governo atua com desmazelo perante as situações mais complexas do país.