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Gravações do INEM apagadas travam apuramento de atraso no socorro em Évora
Inspeção-Geral da Saúde arquiva caso e admite não ter conseguido esclarecer demora no acionamento da emergência devido à inexistência de registos telefónicos
Por Redação
Publicado em 29/05/2026 15:50
Nacional
Foto:António Cotrim / Lusa

Lisboa, 29 mai 2026 (Lusa) — A destruição de gravações telefónicas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) impediu a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) de esclarecer as razões do atraso no acionamento do socorro a um homem em Évora, em fevereiro de 2025, tendo o caso sido arquivado.

Segundo as conclusões hoje divulgadas, a IGAS identificou que houve uma demora considerada excessiva no envio de meios de emergência após um pedido de ajuda através da linha 112, situação que poderia ter tido impacto clínico grave caso o quadro do utente fosse mais severo.

No entanto, o organismo admite que não conseguiu apurar as causas dessa demora porque não foi possível aceder às gravações das comunicações entre os técnicos do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e os meios de socorro.

As gravações já tinham sido eliminadas pelo INEM quando foram solicitadas no âmbito do processo, o que inviabilizou a análise detalhada do que aconteceu no momento do acionamento.

A IGAS refere ainda que a eliminação dos registos estaria enquadrada numa deliberação da Comissão Nacional de Proteção de Dados, que define um prazo máximo de conservação de 90 dias para este tipo de gravações.

Apesar de não ter conseguido estabelecer responsabilidades, a inspeção sublinha que o atraso verificado — de cerca de 25 a 30 minutos — poderia ter sido clinicamente relevante em determinadas circunstâncias.

O caso remonta a um episódio em que um homem se sentiu mal junto ao Hospital de Évora e acabou por ser assistido após a chegada de uma ambulância acionada pelo CODU, depois de inicialmente ter sido pedido que fosse contactado o 112.

A IGAS conclui ainda que a equipa médica de emergência intra-hospitalar existente no hospital está apenas destinada a situações que ocorram dentro das instalações, não abrangendo ocorrências no exterior.

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