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Associação defende que professores devem ter maior formação para combater discurso de ódio
Diretores escolares e associações apontam famílias, redes sociais e extremismo político como fatores de influência entre os jovens
Por Redação
Publicado em 29/05/2026 20:49
Nacional
Foto:Mário Caldeira

Lisboa, 29 mai 2026 (Lusa) - A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas defendeu esta sexta-feira um reforço da formação dos professores para enfrentar o aumento de discursos de ódio entre crianças e jovens, sobretudo no contexto escolar e nas plataformas digitais.

O alerta surge após a divulgação de um relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, que identificou níveis considerados alarmantes de discursos discriminatórios na Europa, com impacto crescente entre os mais novos.

Em declarações à Lusa, o presidente da associação, Filinto Lima, considerou necessário abordar de forma mais consistente estas matérias nas escolas, nomeadamente na disciplina de cidadania e desenvolvimento.

Segundo o responsável, muitos alunos reproduzem mensagens de intolerância que observam na sociedade, sendo simultaneamente vítimas e difusores desse tipo de discurso.

Filinto Lima admitiu que as escolas enfrentam dificuldades no combate ao fenómeno e explicou que, em muitos casos, recorrem ao apoio de entidades externas para sensibilizar os estudantes, apontando como exemplo o programa Escola Segura da PSP.

Também o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, afirmou que o aumento do discurso de ódio entre os jovens reflete muitas vezes opiniões transmitidas no ambiente familiar.

O dirigente associativo responsabilizou ainda discursos políticos mais extremistas e a influência da comunicação social pela normalização de mensagens de intolerância entre crianças e adolescentes.

Por sua vez, a presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Mariana Carvalho, alertou para o impacto de conteúdos divulgados nas redes sociais e por criadores digitais, que podem influenciar comportamentos e atitudes dos mais novos.

A responsável defendeu a necessidade de reforçar competências de literacia mediática e valores de tolerância, ajudando os jovens a distinguir informação verdadeira de conteúdos manipulados ou discriminatórios.

Mariana Carvalho propôs ainda a criação de equipas multidisciplinares nas escolas para prevenir situações de intolerância e discursos de ódio em ambiente escolar.

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