O setor da Educação prepara-se para um mês de outubro agitado, marcado pelo agendamento de três greves promovidas por professores, assistentes operacionais e técnicos especializados. Pouco tempo após o início do ano letivo, os profissionais de ensino denunciam níveis elevados de exaustão e criticam a sobrecarga de horários, motivada pela necessidade de cobrir faltas e falhas de planeamento nas escolas.A primeira paralisação arranca já no final desta semana. A greve mais longa decorrerá entre os dias 6 e 9 de outubro, estando ainda previsto mais um dia de protesto a 19 do mesmo mês. Dados recentes da OCDE sustentam o descontentamento da classe, colocando os docentes portugueses entre os mais insatisfeitos da organização, com destaque para a contestação aos níveis salariais.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, desvalorizou o impacto dos 408 horários que ficaram por preencher no último ano letivo, considerando que o problema não se encontra generalizado. No entanto, a falta de docentes continua a deixar milhares de alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina.
Além dos protestos imediatos, o setor enfrenta um desafio estrutural preocupante: o envelhecimento da classe docente. Portugal regista a percentagem mais reduzida de novos profissionais em formação no espaço da OCDE, sendo que, há dois anos, apenas 6% dos professores tinham menos de 35 anos, em contraste com 38% com 55 ou mais anos.
Para tentar mitigar o problema, o Ministério da Educação anunciou um investimento de 28 milhões de euros em 15 novos contratos-programa com instituições universitárias, com o intuito de formar e qualificar as próximas gerações de docentes. Segundo o tutela, no último ano ingressaram mais de seis mil novos professores no sistema, tendo cerca de três mil adiado a aposentação. Apesar do desgaste e da perceção de pouca valorização, apenas 5% dos docentes entre os 30 e os 49 anos equacionam abandonar a carreira nos próximos cinco anos.
Fonte - Sic Notícias