Lisboa, 07 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, voltou esta quarta-feira a direcionar farpas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, a propósito da revisão do Regime do Arrendamento Urbano. O líder da oposição exortou o chefe do Governo a afastar o tema das lutas partidárias e a reavaliar as consequências sociais das propostas viabilizadas pelo Chega.
"Bater-nos-emos por esta causa que é de justiça social, é uma questão de dignidade, é uma questão de humanidade e eu apelo ao primeiro-ministro para que não faça disto uma teimosia, não faça disto uma disputa partidária, mas faça disto um tema de relevo para a vida das pessoas porque talvez tenha andado mal aconselhado", sustentou José Luís Carneiro em declarações prestadas à margem do 40.º aniversário do mestrado em Estudos Africanos do ISCSP, em Lisboa.
Reiterando a exigência já lançada nas cerimónias do 05 de Outubro para o cancelamento do entendimento entre a Aliança Democrática (AD) e a bancada de André Ventura, o dirigente socialista instou o executivo a ter "mão na consciência" quanto aos perigos de precarização que ameaçam os cidadãos mais vulneráveis e os idosos.
Carneiro não poupou farpas à volatilidade posicional do Chega, acusando a formação de direita radical de reagir por mero cálculo eleitoralista: "Não admira que a desumanidade do Chega esteja sempre pronta para se chegar à frente, mas depois percebendo as sondagens que há uma reviravolta no entendimento da opinião pública, muda de posição. Agora, o primeiro-ministro que não se deixe levar por esse encanto da sereia".
Apesar do chumbo do projeto de lei do PS para a criação de uma garantia pública no arrendamento habitacional durante a votação na generalidade, José Luís Carneiro assegurou que os socialistas vão travar uma luta acesa no debate na especialidade para tentar neutralizar os aspetos mais penalizadores do diploma.