LISBOA — Perante uma plateia de mais de 10 mil pessoas no MEO Arena, o ex-Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu este sábado a urgência de emergirem novos líderes políticos capazes de reconhecer uma "humanidade comum" e de combater as divisões da política atual. Orador principal da sexta edição do Game Changers Forum, o antigo chefe de Estado norte-americano centrou a sua intervenção nos desafios da democracia moderna, na tecnologia e na necessidade de renovação geracional no poder.
Durante um diálogo de cerca de 45 minutos, Obama deixou duras críticas ao sentimento de nostalgia política que ganha força no Ocidente, sublinhando que este saudosismo evoca frequentemente períodos de desigualdade. O ex-líder criticou veladamente posições associadas a Donald Trump, assim como discursos racistas, homofóbicos e violações de soberania internacional, apelando ao fortalecimento dos valores democráticos e à criação de instituições globais mais céleres.
A tecnologia e o futuro do trabalho também estiveram em destaque. Obama alertou para a necessidade urgente de uma regulação internacional rigorosa sobre a Inteligência Artificial (IA) e recorreu à ironia para defender a entrada de líderes mais jovens na política, pontuando que as gerações mais velhas muitas vezes não dominam a tecnologia básica. Estendeu a crítica ao setor tecnológico, sugerindo de forma bem-humorada que alguns empresários do ramo apresentam uma "inteligência restrita" pela falta de contacto com as artes e a literatura.
O antigo Presidente abriu a sua intervenção agradecendo em português e recordou os laços que o unem ao país, desde a presença de luso-americanos na sua administração até aos seus dois cães de água portugueses, Bo e Sunny. A passagem por Lisboa contou com fortes medidas de segurança e incluiu um encontro oficial no Palácio de Belém com o Presidente da República, António José Seguro.