Porto, 11 out 2026 (Lusa) — A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou perto de duas centenas de crimes de burla por falsos funcionários e usurpação de identidade entre janeiro de 2024 e o final de maio de 2026. Ao todo, foram contabilizadas 193 ocorrências em que os burlões se fizeram passar por elementos de forças de segurança e órgãos de polícia criminal.
Segundo os dados divulgados pela guarda, do total de queixas, 69 deram entrada em 2024, 76 em 2025 e 48 nos primeiros cinco meses de 2026. A distribuição geográfica dos crimes revela uma forte concentração no litoral do país, liderada pelo distrito do Porto (33 casos), seguido de Lisboa (23) e Setúbal (18).
Os suspeitos recorrem predominantemente à simulação de funções de fiscalização e autoridade. Os falsos inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e da Polícia Judiciária (PJ) lideram a lista de usurpações, com 69 e 67 casos respetivamente. Registaram-se ainda 22 abordagens em nome da PSP e 17 com falsos militares da GNR.
O telefone surge como o meio predileto de extorsão (utilizado em 142 casos), impulsionado pela técnica de caller ID spoofing, que permite simular no ecrã da vítima o contacto real de um posto policial. As autoridades apelam à população — com foco nos comerciantes e idosos — para que nunca efetuem pagamentos imediatos, exijam identificação formal e desconfiem de urgências financeiras por via telefónica.