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Montenegro afirma que o país precisa de “sindicalistas com audácia”
Publicado em 10/05/2026 18:15 • Atualizado 10/05/2026 18:15
Nacional
@Lusa

(Lusa) - O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, defendeu este domingo a necessidade de uma reforma profunda no mercado de trabalho em Portugal, apelando a que o sindicalismo nacional abandone modelos que considera ultrapassados. No encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós, o chefe do Governo lamentou a falta de consenso na Concertação Social e prometeu levar o debate para o Parlamento, criticando o que chamou de "sindicatos do século XX".

Perante uma plateia de jovens, Montenegro foi direto ao ponto: o país não pode enfrentar os desafios da economia do século XXI com receitas do século passado. O governante argumentou que a atual rigidez das regras laborais prejudica precisamente as novas gerações, limitando a criação de projetos inovadores e a progressão salarial. Na sua ótica, o desfasamento entre as estruturas tradicionais e os setores mais dinâmicos da economia explica o decréscimo de representatividade de certas organizações.

"Precisamos de políticos com arrojo, precisamos de empresários com arrojo, precisamos de sindicalistas com audácia", afirmou, sublinhando que a falta de capacidade de decidir e implementar mudanças é o que faz com que a Europa, e Portugal em particular, fique para trás face a outros blocos económicos.

O Primeiro-Ministro rejeitou ainda a ideia de que a reforma laboral vise facilitar despedimentos. Pelo contrário, defendeu que uma maior flexibilidade serve o interesse do trabalhador e da produtividade das empresas. Para Montenegro, este é o caminho seguido pelo resto da Europa para garantir melhores salários, enquanto em Portugal ainda se discute com receio o que noutros países já é a norma.

A intervenção surge após o fracasso das negociações do anteprojeto "Trabalho XXI". Na passada quinta-feira, o Governo confirmou que não foi possível alcançar um acordo com os parceiros sociais, apontando a intransigência de uma das partes. Sem o aval da Concertação Social, o Executivo prepara-se agora para apresentar a iniciativa legislativa na Assembleia da República, onde Montenegro espera um debate com a profundidade que, a seu ver, faltou na mesa de negociações anterior.

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