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Hantavírus: Especialistas alertam para importância de consulta antes de viagem para áreas endémicas
Publicado em 17/05/2026 12:03
Nacional
@Lusa

Lisboa, 17 mai 2026 (Lusa) — A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) emitiu um aviso sobre a necessidade fundamental de realizar uma consulta médica de aconselhamento antes de se viajar para regiões da América do Sul onde o hantavírus é endémico.

A recomendação surge na sequência de um surto da variante do vírus Andes detetado no navio de cruzeiro Hondius, levando a SPMV a sublinhar que quem se deslocar para áreas rurais de países como a Argentina, o Chile e o Uruguai deve receber orientações claras sobre como evitar a exposição à doença.

Apesar do alerta, a sociedade médica fez questão de acalmar a população, lembrando que o risco para os cidadãos portugueses permanece muito reduzido e que não há registo de transmissão comunitária no país, ainda que o episódio atual reforce a importância de planear a saúde antes de partir.

Em comunicado, a organização explicou que os viajantes que visitem as zonas rurais afetadas devem evitar qualquer contacto com roedores ou com os seus dejetos, recusando também alojar-se ou passar tempo em locais fechados, com má circulação de ar ou que apresentem vestígios de infestações.

Ao mesmo tempo, foi feito um apelo aos profissionais de saúde para que aumentem a vigilância sobre os sintomas de doentes que tenham regressado destas paragens, nomeadamente se apresentarem febre e dores musculares, monitorizando também quem tenha estado próximo de casos confirmados até 42 dias após o contacto.

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente este surto a 2 de maio, os testes laboratoriais já confirmaram oito infeções e três mortes, o que fixa a taxa de letalidade provisória desta variante em cerca de 27%.

Para a OMS, o nível de ameaça é moderado para a tripulação e antigos passageiros da embarcação onde o vírus foi inicialmente detetado, mas mantém-se baixo para a população geral do planeta.

A causa exata deste foco de contágio ainda não foi apurada, contudo, os especialistas estimam que a primeira infeção tenha ocorrido antes do início da viagem a 1 de abril, uma vez que a primeira vítima mortal — um cidadão neerlandês de 70 anos — começou a manifestar os primeiros sintomas a 6 de abril.

O hantavírus pode desencadear uma síndrome respiratória grave e tem um tempo de incubação que varia entre uma e seis semanas, não existindo, até ao momento, qualquer vacina ou tratamento médico direcionado para a doença.

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