Baleizão, Beja, 17 mai 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP manifestou este domingo uma forte oposição às reformas laborais propostas pelo Executivo, assegurando que as medidas já mereceram a contestação social nos locais de trabalho e nas manifestações públicas, e aproveitou para convocar os trabalhadores para a greve geral do próximo dia 03 de junho.
Durante o encerramento da sessão solene em memória de Catarina Eufémia, que assinalou o 72.º aniversário da morte da ceifeira alentejana durante a ditadura do Estado Novo, Paulo Raimundo dirigiu-se a mais de uma centena de apoiantes em Baleizão para criticar as alterações legislativas em curso. Segundo o líder comunista, o pacote laboral mereceu já uma rejeição inequívoca em momentos recentes de mobilização, nomeadamente na greve geral de dezembro passado e nos protestos do Dia do Trabalhador.
O dirigente questionou, em tom irónico, se o Governo esperava uma reação pacífica ou favorável dos trabalhadores perante propostas que, no entendimento do PCP, facilitam o despedimento sem justa causa e acentuam a precariedade entre as camadas mais jovens.
No seu discurso, citado pela agência Lusa, Paulo Raimundo alertou para os impactos negativos que as novas medidas poderão ter no quotidiano das famílias, apontando retrocessos nos direitos associados à maternidade e à paternidade, bem como a generalização do banco de horas em detrimento do pagamento de horas extraordinárias.
O secretário-geral do PCP frisou que a massa laboral se mantém atenta e esclarecida contra o que apelidou de "ataque às suas vidas", defendendo que as ações de protesto devem ser preventivas e anteceder a aprovação final do diploma. O líder partidário concluiu a sua intervenção com um apelo direto à forte mobilização para a greve geral de junho, reivindicando maior dignidade, estabilidade e a valorização salarial para quem produz a riqueza do país.